Ciências Econômicas
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Boletim de Conjuntura Econômica de Goiás – Nº 126/outubro de 2020

As informações da Pesquisa Agrícola Municipal (PAM) confirmam que a atividade agrícola foi uma das únicas a apresentar boa performance em 2019.

As informações da Pesquisa Agrícola Municipal (PAM), divulgadas recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), confirmam que a atividade agrícola foi uma das únicas a apresentar boa performance no Brasil em 2019. O valor da produção das lavouras permanentes e temporárias subiu 5,12% e atingiu seu maior nível histórico (R$ 361 bilhões). Condições climáticas amigáveis, exportações em alta e a elevação da taxa de câmbio estão entre os principais fatores que explicam o aumento do valor da produção agrícola doméstica em 2019. Este movimento interessa de perto ao estado de Goiás. A participação do setor agropecuário no PIB do estado é mais de duas vezes superior à do Brasil e, tal qual o nacional, o valor da produção agrícola goiana bateu recorde em 2019, atingindo R$ 29,4 bilhões, ante R$ 26,1 bilhões em 2018.

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               Fonte: IBGE – Pesquisa Agrícola Municipal.

Há muito, Goiás vem se destacando na produção agropecuária dentre as 27 Unidades da Federação (UFs) do país: o estado ocupa a primeira posição na produção de sorgo e de tomate; nos casos do girassol, da cana de açúcar e do rebanho bovino, o Goiás está em segundo lugar; com o milho, ocupa o terceiro lugar, com destaques locais para Rio Verde e Jataí, que são, respectivamente, o segundo e o quarto maiores produtores dentre os 5.570 municípios brasileiros; no tocante à soja, a produção do estado o coloca na quarta posição; e na produção de suínos o estado ocupa o sexta lugar no ranking nacional.  

Para 2020, há indícios de que os fatores que favoreceram o crescimento do valor da produção agrícola podem ter gerado impactos ainda melhores do que os de 2019. As condições climáticas novamente foram boas e a taxa de câmbio, que há cerca de um ano estava em R$ 4,00, está girando em torno de R$ 5,64, registrando aumento de 40,47%. No caso das exportações, o aumento tem surpreendido positivamente, especialmente por conta dos embarques que têm a China como destino. Os dados do Comex Stat, do Ministério da Economia, dão conta de que, enquanto as exportações totais do país estão em queda (puxada pela redução das exportações de produtos manufaturados), as exportações agropecuárias crescem fortemente desde março/2020, acumulando alta de 149,0% até setembro/2020. Para Goiás, o crescimento das exportações agrícolas impressiona ainda mais, sendo de 994,0% na comparação com o mesmo período de 2019.

Contudo, se do ponto de vista dos produtores e do crescimento econômico esses resultados são muito bons, especialmente para as pessoas mais pobres seus efeitos têm sido perversos. As últimas informações de inflação divulgadas pelo IBGE, oriundas do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 – IPCA-15, registraram a maior alta média dos preços para o mês de outubro deste ano desde 1995, puxada notadamente pelo aumento dos preços dos itens do grupo de alimentação e bebidas. Para se ter uma ideia, embora o Governo tenha zerado os impostos sobre as importações de arroz e de óleo de soja, o IBGE apurou aumento de 18,5% do primeiro e de 18,3% do segundo em Goiânia em outubro/2020. Outros alimentos que completam a mesa do brasileiro também registraram aumentos significativos: o feijão carioca subiu 7,14%, as carnes 5,6% e o leite longa vida 2,46%.

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                                               Fonte: IBGE – Banco Central.

Os preços dos alimentos do país têm sido impactados pelos mesmos fatores que elevaram as exportações, juntamente com o aumento da alimentação realizada em casa, impulsionada não apenas pelas medidas de distanciamento social, como pelo pagamento do auxílio emergencial feito pelo Governo Federal. Neste último aspecto, cumpre mencionar a matéria publica na Folha, no dia 27/10/2020, destacando o estudo realizado pelos economistas Ecio Costa (Universidade Federal de Pernambuco) e Marcelo Freire (Universidade Federal Rural de Pernambuco) sugerindo que o auxílio emergencial superou a perda da massa de rendimentos decorrente da pandemia em 22 das 27 UFs brasileiras.

Ainda que tenha havido redução do valor do auxílio emergencial, tendo em conta que o dólar continua em alta e as exportações também, não se espera queda dos preços dos alimentos no país tão cedo.

Fonte: Economia/FACE

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